segunda-feira, 6 de junho de 2016

A origem de ditados populares que você nunca soube #2

Continuando a primeira parte, veja de onde vieram os ditados populares que você usa no seu dia-a-dia e confira alguns que as pessoas falam errado.

"Quem não tem cão, caça com gato", na verdade, a expressão correta é "Quem não tem cão caça como gato", ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente.

Uma conversa interminável em tom de lamúria, irritante, monótona é um "Nhenhenhém", a expressão veio dos índios Tupi-Guarani. N'nhaém, significa falar e quando os portugueses vieram para cá os nativos não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam de “N'nhaém-n'nhaém-n'nhaém”.

Quando a mulher está naqueles dias se diz que ela está "de paquete", paquete é a denominação dada aos antigos navios de luxo de grande velocidade que costumam fazer entregas...uma vez ao mês.

"Pensando na morte da bezerra" significa estar distante, pensativo, alheio a tudo. A expressão tem origem nos tempos bíblicos, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificados para Deus num altar. Quando Absalão, por não ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se opôs, mas isso não adiantou e a bezerra foi oferecida aos céus, o garoto passou um tempo sentado ao lado do altar “pensando na morte da bezerra”. Consta que meses depois ele veio a falecer ainda pensando em sua bezerra.
Quando duas pessoas são parecidas se diz que eles são "Cuspido e escarrado", essa expressão também está errada, o correto é "Esculpida em carraro", carraro sendo um tipo de mármore usado para fazer esculturas.

O "Santo do pau oco" é aquele pessoa dissimulada, que se faz de boazinha, mas não é. A expressão surgiu na época da retirada do ouro brasileiro durante o século XVIII, naquela época os contrabandistas de ouro, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era então “recheado” com o contrabando e enviado para Portugal.

"Sem eira nem beira" significa uma pessoa sem bens, sem posses. Eira é o lugar usado nas fazendas para se limpar, secar e debulhar os cereais, beira é a beirada da eira. Quando uma eira não tem beira, o vento leva os grãos e o proprietário fica sem nada.
Os nordestinos deram uma explicação diferente ao ditado, segundo eles antigamente as casas das pessoas ricas tinham um telhado triplo: a eira, a beira e a tribeira como era chamada a parte mais alta do telhado. As pessoas pobres não tinham condições de fazer este telhado triplo, então construíam somente a tribeira ficando assim “sem eira nem beira”.


"Dourar a pílula" significa tentar fazer uma situação ruim parecer melhor. A expressão vem dos fatos de que as antigas farmácias embrulhavam as pílulas em papéis requintados, coloridos, para dar melhor aparência ao amargo remédio e fazer as pessoas comprarem.


Acredita-se que a fase "A voz do povo é a voz de Deus" veio do fato de que antigamente as pessoas consultavam o deus Hermes, na cidade grega de Acaia, e faziam uma pergunta ao ouvido de uma estátua dele. Depois o crente cobria a cabeça com um pano e saía à rua, as primeiras palavras que ele ouvisse do povo era a resposta a sua dúvida.


A galocha é um tipo de calçado de borracha reforçado pera protegê-lo da chuva e da lama. Por isso, há uma hipótese de que a expressão "chato de galocha" representaria um chato resistente e insistente.


"Jurar de pés juntos", a expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados e era torturado pra dizer nada além da verdade, literalmente jurando de pés juntos.


"Motorista barbeiro" é um motorista ruim, a expressão veio do século XIX onde os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, entre outros, e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão "coisa de barbeiro".


"Tirar o cavalinho da chuva" significa desistir de algo. No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Mas dizem que o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva".


A expressão "à beça" significa "em grande quantidade". É atribuída aos argumentos usados pelo jurista sergipano Gumercindo Bessa ao enfrentar Rui Barbosa na famosa disputa pela independência do Acre, que seria incorporado ao Estado do Amazonas. Por isso o correto seria "à Bessa".

O termo "guardar a sete chaves" designa algo muito bem guardado. No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. 


"Lei para inglês ver" é a expressão usada no Brasil e em Portugal para leis ou regras que não são cumpridas na prática. A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas "pra inglês ver". 


"Pão duro" é a pessoa que não gosta de gastar seu dinheiro, a expressão vem de uma peça teatral de Amaral Gurgel, baseada em um mendigo que supostamente viveu no Rio de Janeiro no início do século 20. Ele abordava as pessoas pedindo qualquer coisa, nem que fosse "um pedaço de pão duro". Quando ele morreu, descobriu-se que o homem não era pobre, ele tinha um respeitável patrimônio, com contas em bancos e até imóveis em seu nome.

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